Bullying não é brincadeira



A violência tem sido um fator marcado na sociedade contemporânea, e tem sido evidenciada de forma intensa na escola. Com o advento de novas tecnologias, são abundantes os registros em vídeos, áudios, fotos e outras mídias que ilustram detalhadamente cenas de violência no campo escolar.
Frente a materialidade das evidências e o surgimento de casos, cada vez mais alarmantes, de cenas de agressão na escola, tanto a comunidade escolar quanto a comunidade extra- escolar tem se debruçado sobre o tema a fim de refletir acerca de as possíveis origens da eclosão de variados quadros de violência na escola. Um tipo de violência que tem crescentemente chamado atenção de educadores e autoridades é o bullying, conceituado como sendo a violência entre pares que surge no contexto escolar.

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O bullying, juntamente com a indisciplina, tem sido apontado como um importante obstáculo a educação de qualidade, pois suas consequências afetam todos os discentes envolvidos assim como a motivação e qualidade do trabalho docente. Neste contexto, a reflexão, discussão e avaliação sobre o bullying na escola para além do lugar comum de culpabilização do aluno, ou de sua família, torna-se indispensável ao psicopedagogo.
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As consequências do bullying para o aprendizado dos envolvidos e para o aproveitamento escolar é muito significativa, sendo apontada por educadores como um importante entrave à aprendizagem dos discentes e fator de aumento do stress entre docentes.
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O bullying é um problema grave e de saúde pública que provoca sequelas nas vítimas, nos espectadores e até mesmo nos agressores, afeta substancialmente a qualidade do aprendizado de forma negativa, além disso causa sérios problemas de comportamento, tanto a curto, quanto a longo prazo e afetam a saúde dos envolvidos. Geralmente tanto as vítimas do bullying, quanto os seus atores ativos apresentam problemas de aprendizagem, de relacionamento com os colegas, podendo manifestam desinteresse em relação às atividades e tarefas escolares.
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A escola enquanto instituição educadora, não pode ser omissa ao fenômeno bullying e deve ser compromissada, buscar atualizar-se e agir de forma eficiente no combate ao mesmo. Programas desenvolvidos por Olweus (1993) e Pereira (2008) afirmam que para prevenir o bullying é necessário envolver toda a comunidade educativa (alunos, professores, funcionários, pais e outros elementos da comunidade local), numa perspectiva mais global (escolas e turmas), do que apenas aos indivíduos envolvidos (Martins, 2005).
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Desta forma, entende-se que todos os profissionais no âmbito escolar devem estar engajados no processo, comprometidos com a elaboração e desenvolvimento de debates, palestras, campanhas, trabalhos específicos, parcerias com a família e com demais profissionais, para que, futuramente, possam se orgulhar do ambiente sadio e pacífico que estimularam, em decorrência do desenvolvimento de uma vinculação entre cognição e afeto dentro do ambiente escolar (Meier e Rolim, 2013).
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      Em condição de parceria, a família, de todos os envolvidos, não deve deixar que a situação seja resolvida somente pela escola, devem também contribuir com uma participação ativa. A influência familiar é definidora no desenvolvimento da estrutura psicológica da criança, portanto, os pais devem se comprometer a oferecer, desde o seu nascimento, uma formação digna, respeitosa e saudável à criança. Todo esforço dispensado não será em vão, visto que, o bullying e o desrespeito tendem a desaparecer onde haja um clima de atenção e de vinculo entre as pessoas. 
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Quanto mais repetidas e prolongadas forem as situações de violência entre pares, maiores são os danos do ponto de vista do desenvolvimento biopsicosocial e o bem-estar das crianças envolvidas, por isso é necessário haver um diagnóstico e intervenção precoce com implementação programas de intervenção desde os primeiros anos de escolares, baseados num conhecimento mais aprofundado e centrados no insucesso e abandono escolar (Nansel, et al., 2001; Rigby, 1999), na motivação e expectativas dos alunos e professores, impulsionando competências pessoais e sociais para a prevenção de comportamentos agressivos (Matos, Negreiros, et al., 2009). Entre as competências pessoais e sociais, deve se dar ênfase às competências cognitivas, emocionais e comportamentais, através da promoção do comportamento assertivo na resolução de problemas, a participação ativa dos alunos e o envolvimento em actividades extracurriculares com trabalho cooperativo, os quais constituem factores de protecção (Glew, et al., 2005) e medidas eficazes na redução da violência (Gladden, 2002).
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Por Carla Dias
Psicopedagoga

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