A depressão é uma das perturbações mentais mais comuns da atualidade, de fato a doença está tão disseminada que já pode ser considerada um
problema de saúde pública.
Embora desacreditada por alguns, sendo tratada como falta de fé, de boa vontade e de força por outros, a depressão é fato uma doença com expressão em termos neurobiológicos, e com alto risco de mortalidade.
Quando se fala de mortalidade agravada pela depressão, não estamos falando apenas de suicídio, mas também de doenças que se acrescem à depressão, como no caso da diabetes melitus de tipo 2, além de doenças oportunistas, já que durante a depressão há uma baixa significativa das defesas do sistema imunológico.
Os sintomas clássicos da depressão são:
- perda de peso ou aumento do apetite;
- insônia ou hipersônia;
- lentificação ou agitação psicomotoras;
- fadiga ou perda de energia;
- sentimento de desvalorização ou culpa desproporcional;
- indecisão ou perda de concentração ou da capacidade de pensamento;
- ideação ou tentativas de suicídio, ou pensamentos recorrentes acerca da morte.
Tais sintomas, afim de caracterizar uma crise depressiva, devem estar presentes quase todos os dias e causar mal estar intenso e, na maioria das vezes incapacitante.
Percebemos que há um misto de sintomas físicos, como perda de peso, e outros psíquicos, como sentimento de culpa. Mas o que pouco se discute em termos de depressão é que tais sintomas são provocados, não apenas por razões psíquicas, mas por desequilíbrios no sistema nervoso. No cérebro, residem as alterações neurobiológicas que vão gerar esse conjunto de sintomas e mal estar característicos da depressão.
Diferentes regiões encefálicas estão envolvidas na diversidade dos sintomas da depressão. Há alterações do fluxo sanguíneo e do metabolismo da glicose e das dimensões relativas de certas estruturas cerebrais macroscópicas dos pacientes com depressão maior.
Geralmente as sub-regiões do córtex pré-frontal mais implicadas na fisiopatologia da depressão: são o córtex pré frontal ventro-medial, o orbital lateral e o dorsolateral.
A dor física, sentida por muitos deprimidos, a ansiedade e as ruminações depressivas resultam do aumento do fluxo sanguíneo no córtex pré frontal ventro-medial, e da redução da substância cinzenta nesta região.
A fim de diminuir a atividade límbica, o orbital lateral, que normalmente suprime ou modula as respostas emocionais, tem atividade aumentada durante um episódio de depressão maior.
Já o córtex prefrontal dorsolateral, vai apresentar uma diminuição da atividade metabólica e da substância cinzenta. Isso explica a lentificação psicomotora, a diminuição da atenção e o prejuízo à memória (de trabalho), pois o córtex pre frontal dorsolateral participa, em interligação com a porção dorsal do córtex anterior do cíngulo, em vias cognitivas, e é também sede da memória de trabalho.
A depressão tem estreita relação com o stress, e a estrutura neural que é mais estudada no contexto de crises depressivas é o hipocampo .
O hipocampo é indispensável à formação de novas memórias, e participa na modulação do humor . Por ter uma localização bem central, o ele fica bem vulnerável a mecanismos de neurotoxidade proveniente do stress.
A depressão causa expressiva redução de volume hipocampal. A redução de massa será de acordo com a duração e a gravidade do episódio de depressão maior. No entanto, o volume tende a se estabilizar com o tratamento ( geralmente medicamentoso em primeira instância).
Alguns estudiosos, supõem que a tendência a uma diminuição volume do hipocampo seria já uma predisposição genética a depressão e não necessariamente uma sintomatologia da doença em si. Mas é sabido que a redução ocorre durante o episódio depressivo e é controlada com o uso de anti-depressivos eficientes.
Até aí já dá para perceber que a depressão não é coisa da sua cabeça, é um a doença que vai causar redução de importantes estruturas do seu cérebro!
Outra estrutura do cérebro que sofre alterações com a depressão é a amígdala.
A amígdala tem a função de imprimir valor emocional, positivo ou negativo aos estímulos externos. Durante um episódio de depressão, a amígdala tem seu tamanho aumentado. Daí já dá para entender o porquê a pessoa deprimida fica sensível, expressando emoções às vezes exageradas face a qualquer frase dita.
As emoções, também reguladas pelo córtex anterior do cíngulo tem sua atividade alterada durante a depressão. Quanto maior a depressão, menor será a atividade nesta área, então essa monitoração de comportamentos baseados em pré- concepções vai ficar bem prejudicada.
A desmotivação do paciente deprimido é dada por conta da porção ventral do cíngulo.
As alterações de sono, ocorrem por conta de uma alteração causada no hipotálamo. Isso é sério, pois é o hipotálamo que manda a hipófise enviar "ordens" para que as glândulas supra renais produzam hormônios como a adrenalina, o cortisol e os hormônios sexuais. Daí dá para entender as alterações de sono, a agitação, e a redução de libido.
A depressão mexe com seu cérebro e te desequilibra, em termos hormonais também!
Todas essas interações estão em fase de pesquisa, mas com a possibilidade de se realizar exames de imagem, muito tem se descoberto sobre a situação do cérebro durante a depressão.
Depressão não é um fenômeno puramente emocional, ela mexe com as emoções por afetar a amígdala, e a cognição por afetar o hipocampo. Ela pode ter sua gênese em situações emocionais, mas em um dado momento, os pensamentos ativam reações no cérebro, e essas podem ser devastadoras.
Se você está deprimido/a ou conhece alguém com depressão na família, ou no seu convívio, pesquise sobre o assunto, ofereça ajuda e busque entender que essa pessoa precisa um tratamento medicamentoso e psicológico. Além disso, para não haver reincidência da patologia, é preciso efetuar mudanças na vida e nas crenças da pessoa que desenvolveu a depressão .
Seja Plena/o
Referências bibliográficas:
LENT. R. Cem bilhões de neurônios. Rio de Janeiro. Atheneu, 2001.
MACHADO, A. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro: Atheneu, 1986
Artigo indicado: Aspectos neuropsicológicos da depressão
Embora desacreditada por alguns, sendo tratada como falta de fé, de boa vontade e de força por outros, a depressão é fato uma doença com expressão em termos neurobiológicos, e com alto risco de mortalidade.
Quando se fala de mortalidade agravada pela depressão, não estamos falando apenas de suicídio, mas também de doenças que se acrescem à depressão, como no caso da diabetes melitus de tipo 2, além de doenças oportunistas, já que durante a depressão há uma baixa significativa das defesas do sistema imunológico.
Os sintomas clássicos da depressão são:
- perda de peso ou aumento do apetite;
- insônia ou hipersônia;
- lentificação ou agitação psicomotoras;
- fadiga ou perda de energia;
- sentimento de desvalorização ou culpa desproporcional;
- indecisão ou perda de concentração ou da capacidade de pensamento;
- ideação ou tentativas de suicídio, ou pensamentos recorrentes acerca da morte.
Tais sintomas, afim de caracterizar uma crise depressiva, devem estar presentes quase todos os dias e causar mal estar intenso e, na maioria das vezes incapacitante.
Percebemos que há um misto de sintomas físicos, como perda de peso, e outros psíquicos, como sentimento de culpa. Mas o que pouco se discute em termos de depressão é que tais sintomas são provocados, não apenas por razões psíquicas, mas por desequilíbrios no sistema nervoso. No cérebro, residem as alterações neurobiológicas que vão gerar esse conjunto de sintomas e mal estar característicos da depressão.
Diferentes regiões encefálicas estão envolvidas na diversidade dos sintomas da depressão. Há alterações do fluxo sanguíneo e do metabolismo da glicose e das dimensões relativas de certas estruturas cerebrais macroscópicas dos pacientes com depressão maior.
Geralmente as sub-regiões do córtex pré-frontal mais implicadas na fisiopatologia da depressão: são o córtex pré frontal ventro-medial, o orbital lateral e o dorsolateral.
A dor física, sentida por muitos deprimidos, a ansiedade e as ruminações depressivas resultam do aumento do fluxo sanguíneo no córtex pré frontal ventro-medial, e da redução da substância cinzenta nesta região.
A fim de diminuir a atividade límbica, o orbital lateral, que normalmente suprime ou modula as respostas emocionais, tem atividade aumentada durante um episódio de depressão maior.
Já o córtex prefrontal dorsolateral, vai apresentar uma diminuição da atividade metabólica e da substância cinzenta. Isso explica a lentificação psicomotora, a diminuição da atenção e o prejuízo à memória (de trabalho), pois o córtex pre frontal dorsolateral participa, em interligação com a porção dorsal do córtex anterior do cíngulo, em vias cognitivas, e é também sede da memória de trabalho.
A depressão tem estreita relação com o stress, e a estrutura neural que é mais estudada no contexto de crises depressivas é o hipocampo .
O hipocampo é indispensável à formação de novas memórias, e participa na modulação do humor . Por ter uma localização bem central, o ele fica bem vulnerável a mecanismos de neurotoxidade proveniente do stress.
A depressão causa expressiva redução de volume hipocampal. A redução de massa será de acordo com a duração e a gravidade do episódio de depressão maior. No entanto, o volume tende a se estabilizar com o tratamento ( geralmente medicamentoso em primeira instância).
Alguns estudiosos, supõem que a tendência a uma diminuição volume do hipocampo seria já uma predisposição genética a depressão e não necessariamente uma sintomatologia da doença em si. Mas é sabido que a redução ocorre durante o episódio depressivo e é controlada com o uso de anti-depressivos eficientes.
Até aí já dá para perceber que a depressão não é coisa da sua cabeça, é um a doença que vai causar redução de importantes estruturas do seu cérebro!
Outra estrutura do cérebro que sofre alterações com a depressão é a amígdala.
A amígdala tem a função de imprimir valor emocional, positivo ou negativo aos estímulos externos. Durante um episódio de depressão, a amígdala tem seu tamanho aumentado. Daí já dá para entender o porquê a pessoa deprimida fica sensível, expressando emoções às vezes exageradas face a qualquer frase dita.
As emoções, também reguladas pelo córtex anterior do cíngulo tem sua atividade alterada durante a depressão. Quanto maior a depressão, menor será a atividade nesta área, então essa monitoração de comportamentos baseados em pré- concepções vai ficar bem prejudicada.
A desmotivação do paciente deprimido é dada por conta da porção ventral do cíngulo.
As alterações de sono, ocorrem por conta de uma alteração causada no hipotálamo. Isso é sério, pois é o hipotálamo que manda a hipófise enviar "ordens" para que as glândulas supra renais produzam hormônios como a adrenalina, o cortisol e os hormônios sexuais. Daí dá para entender as alterações de sono, a agitação, e a redução de libido.
A depressão mexe com seu cérebro e te desequilibra, em termos hormonais também!
Todas essas interações estão em fase de pesquisa, mas com a possibilidade de se realizar exames de imagem, muito tem se descoberto sobre a situação do cérebro durante a depressão.
Depressão não é um fenômeno puramente emocional, ela mexe com as emoções por afetar a amígdala, e a cognição por afetar o hipocampo. Ela pode ter sua gênese em situações emocionais, mas em um dado momento, os pensamentos ativam reações no cérebro, e essas podem ser devastadoras.
Se você está deprimido/a ou conhece alguém com depressão na família, ou no seu convívio, pesquise sobre o assunto, ofereça ajuda e busque entender que essa pessoa precisa um tratamento medicamentoso e psicológico. Além disso, para não haver reincidência da patologia, é preciso efetuar mudanças na vida e nas crenças da pessoa que desenvolveu a depressão .
Seja Plena/o
( Por : Carla de Oliveira)
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Referências bibliográficas:
LENT. R. Cem bilhões de neurônios. Rio de Janeiro. Atheneu, 2001.
MACHADO, A. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro: Atheneu, 1986
Artigo indicado: Aspectos neuropsicológicos da depressão



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