Como foi falado na postagem anterior, este blog não tem a intenção de prestar um disgnóstico sobre qualquer patologia, mas sim apresentar uma reflexão sobre algumas questões psíquicas de uma série de postagens veiculadas ao sofrimento psíquico na pós modernidade.
Caso você ou algum parente apresente algum traço de um sofrimento aqui mencionado que cause prejuízo significativo à sua vida ou de pessoa próximas, busque ajuda de um profissional especializado.
Este blog apresenta apenas informação para reflexão, isso não dispensa a visita a um profissional credenciado para o tratamento clínico.
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Após tais considerações vamos apresentar alguns critérios que diferenciam uma pessoa consumista de uma que está sofrendo por compulsão por compras.
1) Uma pessoa que apresenta oniomania tem um impulso incontrolável e insano para as compras.
Desta maneira a compra não se faz de maneira racional, nesta perspectiva não há planejamento de compra como: "vou comprar mês que vem", ou consideração quanto a disponibilidade ou não de recursos para efetuar a compra do tipo: "comprarei isso depois, porque agora tenho outras prioridades" ou " Não comparei isso porque não disponho de dinheiro no momento" .
A pessoa pode até estar ciente de que não tem mais crédito, mas vai mobilizar os recursos que tem, a fim de comprar o item que deseja "desconsiderando" suas limitações financeiras, ou real urgência da utilização do item.
O comprador compulsiva vai tender a racionalizar, atribuindo uma necessidade urgente na compra do item, que não condiz com a realidade.
Afirmações como : " Eu preciso deste sapato, porque todos os meus 45 pares não têm listras horizontais como este, e preciso de um sapato com listras horizontais para combinar com meu vestido novo ( que provavelmente nunca vou usar) "
O caráter impulsivo também aponta o comportamento viu, comprou. Sem planejamento prévio.
2) Há cronicidade e repetitividade.
Um comprador comum pode cometer uma insanidade consumista de quando em quando, mas o comprador compulsivo vai constantemente realizar compras por impulso.
Comprar pelo simples prazer do consumo é uma constante na vida da pessoa que apresenta compulsão por compras. O comportamento se repete diariamente, semanalmente ou mensalmente.
A incapacidade de frear as compras pode gerar sentimentos negativos posteriormente.
3) O comportamento de comprar é intrusivo e/ou sem sentido.
O desejo de comprar surge "do nada" e não há real sentido na compra, nem no que tange à necessidade do item, nem na possibilidade financeira de obtê-lo.
Pode-se por exemplo comprar um carro sem saber dirigir.
4) A preocupação com as compras, os impulsos ou o ato de comprar causam sofrimento marcante e interferem na vida profissional, pessoal e financeira da pessoa.
Casamentos são desfeitos, há brigas na família, endividamento progressivo e severo, dano significativo no trabalho por conta das compras ou preocupação com as mesmas. A pessoa pode faltar ou se atrasar para o trabalho porque estava comprando.
5) O diagnóstico não se baseia na quantia gasta de dinheiro, mas como o dinheiro é gasto. A pessoa pode precisar comprar apenas coias bem baratas, mas precisa comprar algo.
O diagnóstico da oniomania ainda carece de estudos, por isso a compulsão por compras é categorizada como um transtorno de controle dos impulsos não classificados em outro local, sendo um diagnóstico residual no DSM IV.
Quais os fatores que predispõem a compra compulsiva?
1) Família e genética
2) Estado do sujeito ( afetividade e cognição)
3) Ambiente ( sociedade e cultura)
1) Famílias com grande concentração de transtornos de humor, de ansiedade, alimentares, dependência química ou outros transtornos de impulso e com eventos traumáticos na infância, podem favorecer o desenvolvimento de compras compulsivas.
Há alguns estudos que sugerem que as compras compulsivas estariam associadas a perda da neurotransmissão serotonérgetica, dopaminérgica e opióide. Há possibilidade de haver baixa atividade dopaminérigica em indivíduos que sofrem por compras compulsivas ( síndrome de deficiência do sistema de recompensa cerebral.
2) Uma identidade frágil e baixa auto-estima tornam o sujeito mais suscetível a compras compulsivas por influência da propaganda e preocupação com opinião alheia.
No campo cognitivo, as compras podem ser utilizadas como estratégias para lidar com emoções negativas e como um meio de construção de identidade. Neste campo também se destacam as crenças de tudo ou nada em relação ao dinheiro, comprar a fim de presentear e conseguir afeto.
Muitos compradores compulsivos estabelecem associação entre a aquisição de objetos de recompensa ou neutralização de sentimento negativos, desenvolvendo apego pessoal e segurança por meio da compra. Neste sentido a compra se estabelece como fonte de bem estar e satisfação. Brigas podem ser gatilhos para compras compulsivas a desencadear sentimentos negativos.
3) A oferta de crédito, facilitação da compra e a valorização do ser pelo ter, são fatores ambientais que estimulam a compra compulsiva. A cultura que inculca nas pessoas a necessidade de possuir bem contribui para a criação de crenças relacionadas a finalidade do dinheiro ( dinheiro como meio de comprar felicidade e aliviar as frustrações).
As estratégias de consumo, acabam proporcionando ao comprador compulsivo tudo o que ele necessita para se manter no ciclo vicioso do consumo desenfreado.
A facilitação da venda antecipa o prazer da compra e retarda o custo do pagamento, a urgência é garantida pelas liquidações e promoções que sugerem uma oportunidade única da aquisição de algum objeto.
A cultura também valoriza de tal forma o consumo, que às vezes fica difícil identificar um comprador compulsivo, pois o hábito de comprar em excesso é visto como positivo.
As mulheres são um grupo hiper estimulado a consumir certos itens como roupas, com crenças nas quais se postula que não se deve repetir roupa, que deve-se ter muitas maquiagens disponíveis.
Os homens são estimulados a sempre trocarem de carros, a sua potência sexual é às vezes atribuída pela potência do motor do seu veículo, e assim o machismo estimula também os consumo exagerado, marcando o tipo de consumo adequado acada gênero, e as pessoas acatam.
Tudo isso, estimula o comprador compulsivo a cada vez mais se envolver em suas dívidas.
O que fazer?
A fim de evitar o ingresso no ciclo de compras compulsivas, devemos estar em contato conosco mesmos, fortalecer nossa identidade, enfrentas as frustrações e demais pensamentos negativos evitando comprar por prazer.
Em caso do sofrimento psíquico envolvendo compras compulsivas já estabelecido, a solução é buscar auxilio de profissionais qualificados como : psicólogos ( a terapia cognitivo comportamental é especialmente indicada nesses casos.
Se houver necessidade de controle medicamentoso, é indispensável a busca de um psiquiatra, ativando um atendimento multidisciplinar que pode até incluir ajuda de consultores para resolução das dívidas e pendências financeiras geradas pelo quadro.
Na verdade, precisamos de muito pouco para sermos felizes.
( Por : Carla de Oliveira)
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