Sofrimento psíquico hoje 5- A psicofisiologia do burnout


O que é Burnout?

Burnout é a síndrome de esgotamento profissional, ela surge de um processo de estresse ocupacional. Esta síndrome compromete o equilíbrio psicofisiológico do indivíduo e o faz gastar energia extra. 

O estudo desta síndrome se deu início nos Estadus Unidos a partir de publicação do Psicólogo Americano Freudenberger em 1974
Trata-se de uma síndrome multidimensional, pois passa por três etapas: a exaustão emocional, desumanização e falta de realização profissional. 
O burnout é  considerado como uma forma inadequada de enfrentar a cronificação do estresse ocupacional e pode ser encontrado em qualquer profissão, mas geralmente se dá nos trabalhos em que há impacto direto na vida de outras pessoas, como por exemplo, com profissionais da saúde em geral, jornalistas, advogados, professores e até mesmo voluntários.

A Psicofisiologia do Burnout

A psicofisiologia do burnout é muito semelhante a do circuito do stress. Vamos estruturar o stress em estágios a fim de facilitar a compreensão do burnout. 
O primeiro estágio é o alarme, o corpo reconhece o estressor e ativa o sistema neuroendócrino.
Há envolvimento do hipotálamo, que ativa o sistema nervoso autônomo, em sua porção simpática. 

  1. O hipotálamo também secreta alguns neurotransmissores, como dopamina, noradrenalina e fator liberador de corticotrofina. 
  2. O liberador de corticotrofina, estimula a produção de adrenocorticotrófico (ACTH) pela hipófise, que também aumenta a produção de outros hormônios, tais como ADH, prolactina, hormônio somatotrófico (STH ou GH - hormônio de crescimento), hormônio tireotrófico (TSH). 
  3. O ACTH estimula as glândulas supra-renais a secretarem corticóides e adrenalina (catecolamina).
  4. As glândulas adrenais passam então a produzir e liberar os hormônios do estresse (adrenalina e cortisol), que aceleram o batimento cardíaco, dilatam as pupilas, aumentam a sudorese e os níveis de açúcar no sangue, reduzem a digestão, contraem o baço e causa imunodepressão (redução das defesas do organismo). 
  5. A função dessa resposta fisiológica é preparar o organismo para a ação, que pode ser de “luta” ou “fuga”.Nessa fase também pode ocorrer tanto uma inibição quanto um aumento desmedido de hormônios gonadotróficos.


Segundo estágio é a adaptação  
Neste estágio  o organismo repara os danos causados pela reação de alarme, reduzindo os níveis hormonais.

Se o agente ou estímulo estressor continua, o terceiro estágio começa.
O terceiro estágio é a exaustão.

Nesse estágio começam a falhar os mecanismos de adaptação e ocorre déficit das reservas de energia  
Pode haver surgimento de uma doença associada à condição estressante.

As modificações biológicas que aparecem nessa fase assemelham-se àquelas da reação de alarme, mas o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só.

O estresse agudo, repetido inúmeras vezes pode, por essa razão, trazer conseqüências desagradáveis, incluindo disfunção das defesas imunológicas.
                     


( Por : Carla de Oliveira)

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