Como o pânico acontece em termos neurais?
A informação proveniente do ambiente externo, atravessa o tálamo
anterior até o núcleo lateral da amígdala, de lá é enviada para o núcleo central da amígdala.
O núcleo central da amígdala vai "decidir" quais respostas devem ser ativadas para aquela informação. A grosso modo indicará se há perigo ou não há perigo.
No Transtorno de pânico, há um déficit neurocognitivo nestas vias de processamento corticais, isso pode resultar em um erro no processamento de informações sensoriais (sensações corporais), levando a uma ativação inapropriada desta "rede de medo" através de estímulos excitatórios errôneos para a amígdala.Como a interpretação é de perigo, aí teremos aumento do ritmo respiratório com a ativação do núcleo parabraquial, a ativação do sistema simpático (luta ou fuga) causando uma resposta de fuga: aceleração de batimentos cardíacos, palidez nas mucosas e pele, tremores, migração do sangue para os órgãos em detrimento da derme, causando palidez e deixando a pessoa "gelada", aumento da pressão arterial etc...
No hipotálamo vai haver liberação de adrenocorticóides ( adrenalina e cortisol) e a substância cinzenta periaquedutal vai trazer a cereja do bolo: o comportamento de evitação fóbica, aquele mecanismo de tentar evitar a crise, evitando os lugares e situações nas quais ocorreram ou onde podem ocorrer a crise.
O mais chato de tudo é que essa resposta autonômica, então não depende da vontade do indivíduo.
Simplesmente acontecem, aparentemente "do nada"!
Para piorar um pouco a situação, nas crises de pânico a amígdala recebe informações sensoriais diretamente das estruturas do tronco cerebral e do tálamo sensorial, assim a resposta é mais uma rápida, e como a informação não passa pelo córtex, não há como processar a avaliação sensorial .
Em outras palavras, como o córtex é o nosso centro de racionalidade e consciência, se a informação não passa por ele, mas escolhe essa via rápida, acaba que não temos nem consciência, nem como "pensar" que neste momento a ansiedade é neurótica, ou seja sem vínculo com a "realidade".
Agora, que você compreendeu um pouco melhor o que ocorre com uma pessoa quando em crise de pânico, você já consegue compreender as pessoas que sofrem deste mal e pode apoiá-las melhor.
Se você tem sido assombrado/a por este sofrimento, entenda que você não está sozinho/a, que você não é louco/a, nem possuído/a. Seu cérebro está apenas interpretando as informações de maneira incorreta.
Saiba que as razões para se desenvolver um transtorno de pânico são diversas. Busque se conhecer e entender o que está ocorrendo contigo. Muitas pessoas que fazem um tratamento sério contra o transtorno do pânico ficam livres das crises pela vida toda, principalmente se aprendem a identificar os gatilhos e evitá-los.
Conhece-te a ti mesmo e
Seja plena/o
( Por Carla Oliveira)
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Referências bibliográficas:
LENT. R. Cem bilhões de neurônios. Rio de Janeiro. Atheneu, 2001.
MACHADO, A. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro: Atheneu, 1986




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